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Clímax

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      E quando pensamos que já ultrapassámos montanhas e cordilheiras, com um sopro de espanto ou de admiração, vislumbramos quase incessantemente e cegamente o infinito do oceano. Todavia, cruzamo-nos com as rochas. Esses temíveis contratempos... As pedras duras e cansadas dos anos não nos deixam passar. Estacam-nos de uma forma impulsiva e repulsora. A ausência de dó e piedade leva-nos a rebolar sem fé nem esperança para um vale sem fundo aparente. É ingrato tudo isto, não?! O nosso auge torna-se o nosso maior adversário.

Complexidade

     Estou numa fase em que a cor é fictícia. Tudo se agiganta à minha volta. Quero colorir tudo o que os meus olhos veem, todavia, tudo se apresenta sem risco nem rabisco visível. Será propositado? Tudo se torna demasiado complexo e confuso para o número de neurónios que possuo - ingenuidade, é aceitável que saiba isso. Sinto algo a transcender-me, não conseguindo tomar rédeas a esta incógnita. De forma alguma consigo controlar este súbito desconhecido; é como se tivesse nascido, crescido, aprendido, ter ganhado maturidade num outro mundo, deveras longínquo a este.      Encontro-me num beco sem saída perceptível. Por mais que tente escolher um caminho, deparo-me com um real que não me dá opções possíveis. Uma realidade irreal, não me é claro. Todos os percursos parecem esconder-se a olhos vistos. Neste instante, a escuridão ganha força. Fico à espera de um abanão, senão entro em rotura. Será esta a altura da vida, que toda a gente fala, em que nos é i...

Desamparo

8:42 - Acordo a chorar. Com um sopro de angústia ou desilusão todos os meus sentidos se converteram num só ponto: a noite. As voltas na cama, os pensamentos ruins, os barulhos dos meus neurónios crepitando de sobressalto, os tremores de dor, o corpo despojado de qualquer ânimo. Envolvo-me subitamente entre os lençóis, são eles o meu conforto neste momento - o único. Quero voltar a dormir para não pensar. Quero voltar a embarcar na maré do sonho e não do pesadelo real. Quero um querer que se quer sem outro querer possível. Quero! Dorme, adormece, pensa em dormir, fecha os olhos com mais força. Não consigo, quanto mais quero, menos consigo ter. Tento acalmar todo o sangue galopante que bombeia o meu desalentado ventrículo para o resto das minhas veias e artérias. Aquece-me, coração. Aquece-me, por favor. As minhas mãos manuseiam e apertam com mais força os lençóis , eles torneiam-me o corpo de modo a não deixar resquícios de ar impuro. A dor permanece, no entanto, o calor vai fazendo a...

Despedida

     Estou fechada entre estas quatro paredes, entre estes membros insensíveis. Em plena e sublime prisão. O que de dia parecia radiar luminosidade e vivacidade, agora tudo se torna obscuro, negro e assustador. Tenho medo... Medo da noite, medo de adormecer sem te dar um beijo de boa noite. Odeio despedidas. Despedidas sem um adeus ternurento. A separação é sofredora. O encontro é incerto neste tempo sem fim e sem pecado. Não preciso que compreendas isto, só preciso que me compreendas a mim. Lá encontrarás as respostas às minhas preces. Não vamos brincar às bonecas nem aos fantoches. A realidade não aparece. O imaginário é agigantado de tal forma que perco a noção de tudo neste mar de ideias vagas e imprecisas. Vem, sem brincar. Eu aceitar-te-ei.

Obrigada, para sempre

     Aquele relógio não pára... nunca parou! Tem pilhas vitalícias. (É) horrível esta sensação que surge no meu interior. Está pregado naquela parede feia, feita com frágeis e soltas pinceladas. A tinta escorreu rapidamente com o choque tremendo. O susto alastrou e o alarme chegou. Precisava de amor e carinho!      Falta pouquíssimo tempo para ultrapassar um obstáculo da minha vida. Sim, eu, eu mesma. Um "eu" afrouxado, não o "eu" presente, mas o "eu" imaginário... talvez. O tempo é como um rio. Corre sem parar, tal como aquele relógio que dita as horas não parou. É neste preciso instante que tomo consciência de mim. Ainda há meses sofria amargamente, porque este ensejo tardava a chegar e, agora, (finalmente!) chegou. O nervosismo aperta, aperta, aperta... Adoro-o. Irei continuar a ser eu mesma, contudo, com uma outra pessoa dentro de mim. Não outro ser que respira, mas sim, um ser evoluído da básica e ingénua pessoa que habitava em mim. O orgulho ...

Perturbações

     Estou em pleno deserto de ideias vagas. Sinto-me nua de sentidos. Nua mesma. Preciso de algo que me dê animo para me erguer deste suplício. Não basta ideias idiotas de "segue em frente", "força", "tu consegues", "és forte"; é mais do que isso... E não são tão idiotas assim.      Sinto o meu coração a colidir com a minha alma incrédula. Os meus ventrículos estão ruidosos. A confusão reina no meu ser nada ingénuo (ou será?). Interrogações percorrem gravemente a minha suave vida. As antíteses, naturalmente, fazem parte dela - querer/não querer, ser/não ser. Incógnito.      Quero reinar o meu espírito, quero mesmo. Constantes entraves não desejados perpetuam-se. Hoje estou em perturbação plena e autêntica. Até a ordem das palavras que fragilizantemente saem das minhas cordas vocais estão trocadas. Perdão.  Vou contar um história:      Estava eu em plena travessa da minha aldeia quando, inespera...

Insana

A vida é uma imensidão de quebra-cabeças e estes malandros travam constantemente o nosso ritmo. O desespero surge num ensejo. Inesperado, acrescento. Todavia, apesar desta insanidade, eu adoro estes contratempos. Não consigo, de forma saudável e detalhada, descrever o por quê sem recorrer à loucura da minha mente. Sei sim que o meu coração se liga a estes momentos de uma forma esplendorosa, incrivelmente verdadeira. Estes jogos virados do avesso põem-me louca - quando digo louca, é mesmo louca! Podem-me tentar derrubar, empurrar contra a parede da pedra mais rija e duradoura que existir, imaginem só. No entanto, ergo-me contra tudo o que me fez "bater no fundo". Não é uma atitude corajosa... é uma atitude firme, convicta e num gozo que, efetivamente, irá ser o meu poço de tormentos. Será que gostarei de dor, mesmo sabendo que dói?