Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

PE 1

Entrei numa fase horrível. Não escrevo. Tenho medo das palavras que se agigantam à minha frente... sem dó nem a mínima piedade. Como ultrapasso isto?

(Justificação título: PE - Post Escritora.
Cada vez que introduzir este nome para título do texto significa que sou eu, Ana Melo, que escrevo. Não estou vestida na pele de nenhuma personagem)

Sábado, 16 de Julho de 2011

vem, sem brincar

estou fechada entre estas quatro paredes, entre estes membros insensíveis. em plena e sublime prisão. o que de dia parecia radiar luminosidade e vivacidade, agora tudo se torna obscuro, negro e assustador. tenho medo. medo da noite. medo de adormecer sem te dar um beijo de boa noite. odeio despedidas. despedidas sem um adeus ternurento. a separação é horrível. o encontro é oculto neste tempo sem fim e sem pecado. não preciso que compreendas isto, só preciso que me compreendas a mim. é lá que encontrarás tudo. não vamos brincar às bonecas nem aos fantoches. a realidade não aparece. o imaginário é agigantado de tal forma que perco a noção de tudo neste mar de ideias vagas e imprecisas. vem, sem brincar. eu aceitar-te-ei.

Domingo, 19 de Junho de 2011

obrigada, para sempre

aquele relógio não pára. nunca parou... tem pilhas vitalícias. (é) horrível esta sensação. está pregado naquela parede feia, feita com frágeis pinceladas soltas. a tinta escorreu rapidamente com um choque tremendo. o susto alastrou e o alarme chegou. precisava de amor e de carinho!
falta pouquíssimo tempo para (eu) ultrapassar um obstáculo da minha vida. sim, eu, eu mesma. um "eu" afrouxado, não o "eu" presente, mas o "eu" imaginário... talvez. o tempo é um rio. corre sem parar. tal como aquele relógio que dita as horas não parou. é neste instante que eu tomo consciência de mim. ainda há meses sofria amargamente porque este ensejo nunca mais chegava e, agora, finalmente!, está chegando... o nervosismo aperta, aperta, aperta... adoro-o. daqui a pouco tempo vou continuar a ser eu mesma, mas com uma outra pessoa dentro de mim. o orgulho vai invadir-me em pleno. obrigada.... agradeço tudo o que cresci. agradeço a todas as discussões que tive com o considerado meu mais-que-tudo. ele, sim, conseguiu abriu o meu corpo a este mundo nada ingénuo. tanto que levei na cabeça, tanta dor, tanto rancor desnecessário. as palavras para ele são difíceis de ser pronunciadas letra-a-letra, ditongo-a-ditongo. a responsabilidade dele mata-me. obrigada, aprendi muito contigo! custa-me não te ver passados dois ou três dias e moras aqui, aqui mesmo. junto ao meu coração e ao pé do meu quarto que abrange de tudo.
sabes que eu gosto muito de ti, apesar da distância evidente entre os nossos dois mundos, entre as nossas duas visões, entre os nossos seres... meu d.m.,
és o orgulho da minha vida.

Domingo, 5 de Junho de 2011

cegueira

preciso de algo que ainda não encontrei. a busca continua... com ânimo ou não. montanhas e colinas sem fim surgem!,... a estes olhos cegos.

Terça-feira, 31 de Maio de 2011

perturbações

estou em pleno deserto de ideias vagas. sinto-me nua de sentidos. nua mesma. preciso de algo que me dê animo para me erguer deste suplício. não basta ideias idiotas de "segue em frente", "força", "tu consegues", "és forte". é mais do que isso...
sinto o meu coração a colidir com a minha alma incrédula. os meus ventrículos estão ruidosos. a confusão reina no meu ser nada ingénuo (ou serei?). as interrogações percorrem gravemente a minha suave vida. as antíteses, naturalmente, fazem parte dela. querer/não querer. ser/não ser. incógnito.
quero reinar o meu espírito. quero mesmo. constantes entraves não desejados. hoje estou eu em perturbação plena e autêntica. até a ordem das palavras que saem frágeis das minhas cordas vocais saem trocadas. perdão.
vou contar um história:
- estava eu em plena travessa da minha aldeia quando, inesperadamente, alguém me chama. parei. não reconhecia a voz e não soube de onde vinha. continuei a caminhar intrigada, mas prossegui. Chamaram-me outra vez, parei. o efeito pedra tinha-se abatido sobre mim. rodei para a esquerda e o medo assombrou-me. uma senhora bordava à sua porta - não era ela, pois tinha sofrido, pelo que dizem as pessoas da terra, que ficou muda quando perdeu o marido no Ultramar. Girei para a direita, nada. à medida que as minhas passadas iam ficando para trás o sobressalto ia crescendo. qualquer ínfimo barulho mexia com o meu ser. ouvia decerto uma voz. cortei por um atalho e cheguei, finalmente, a casa da minha avó. não ouvi mais nada, apenas o barulho do meu estômago a arder de fome. Depois da minha vó me preparar um pão com queijo saí de casa e fui buscar água à fonte. quando passei pela mesma rua onde havia ouvido aquele barulho incerto  a vizinhança estava apavorada e assustada. a mulher que estava a bordar morreu repentinamente.

devo estar louca, ou então perto disso. tenho um poder destruidor, só pode. a voz que tinha soado ao meu ouvido só podia ser daquela mulher sofredora, pedindo ajuda. ou será que não?
preciso de ajuda! não aguento!