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Obrigada, para sempre

     Aquele relógio não pára... nunca parou! Tem pilhas vitalícias. (É) horrível esta sensação que surge no meu interior. Está pregado naquela parede feia, feita com frágeis e soltas pinceladas. A tinta escorreu rapidamente com o choque tremendo. O susto alastrou e o alarme chegou. Precisava de amor e carinho!      Falta pouquíssimo tempo para ultrapassar um obstáculo da minha vida. Sim, eu, eu mesma. Um "eu" afrouxado, não o "eu" presente, mas o "eu" imaginário... talvez. O tempo é como um rio. Corre sem parar, tal como aquele relógio que dita as horas não parou. É neste preciso instante que tomo consciência de mim. Ainda há meses sofria amargamente, porque este ensejo tardava a chegar e, agora, (finalmente!) chegou. O nervosismo aperta, aperta, aperta... Adoro-o. Irei continuar a ser eu mesma, contudo, com uma outra pessoa dentro de mim. Não outro ser que respira, mas sim, um ser evoluído da básica e ingénua pessoa que habitava em mim. O orgulho ...

Perturbações

     Estou em pleno deserto de ideias vagas. Sinto-me nua de sentidos. Nua mesma. Preciso de algo que me dê animo para me erguer deste suplício. Não basta ideias idiotas de "segue em frente", "força", "tu consegues", "és forte"; é mais do que isso... E não são tão idiotas assim.      Sinto o meu coração a colidir com a minha alma incrédula. Os meus ventrículos estão ruidosos. A confusão reina no meu ser nada ingénuo (ou será?). Interrogações percorrem gravemente a minha suave vida. As antíteses, naturalmente, fazem parte dela - querer/não querer, ser/não ser. Incógnito.      Quero reinar o meu espírito, quero mesmo. Constantes entraves não desejados perpetuam-se. Hoje estou em perturbação plena e autêntica. Até a ordem das palavras que fragilizantemente saem das minhas cordas vocais estão trocadas. Perdão.  Vou contar um história:      Estava eu em plena travessa da minha aldeia quando, inespera...

Insana

A vida é uma imensidão de quebra-cabeças e estes malandros travam constantemente o nosso ritmo. O desespero surge num ensejo. Inesperado, acrescento. Todavia, apesar desta insanidade, eu adoro estes contratempos. Não consigo, de forma saudável e detalhada, descrever o por quê sem recorrer à loucura da minha mente. Sei sim que o meu coração se liga a estes momentos de uma forma esplendorosa, incrivelmente verdadeira. Estes jogos virados do avesso põem-me louca - quando digo louca, é mesmo louca! Podem-me tentar derrubar, empurrar contra a parede da pedra mais rija e duradoura que existir, imaginem só. No entanto, ergo-me contra tudo o que me fez "bater no fundo". Não é uma atitude corajosa... é uma atitude firme, convicta e num gozo que, efetivamente, irá ser o meu poço de tormentos. Será que gostarei de dor, mesmo sabendo que dói?

Até ao deleite

Começa a surgir este verde furtivo, Não se vêem cores nesta flora. Só quem está fora É que não vê tal esconderijo. Esta estrada negro feio Arruína os meus sentidos puros. Oh raposas dóceis, oh coelhos seguros! Sou eu, não tenhais receio. Tudo muda. Tudo altera. Que som infernal penetrante Caminho apenas para um som pujante Ultrapassando esta cratera. Sobre este piso não estável, Que me recorda o granito da serra, Estou em subida constante, Até à minha plena terra. Ainda estou ao fim da cale E já me soa afinal. Não tenho vontade não De parar em aflição. Entrei, em passadas deixadas, Que momento repleto de sensação! Fazendo meu “eu” dar às asas, Da minha elevação. Estou em deleite cativante, Neste entoar deslumbrante.

Mais um devaneio

Há cerca de sete minutos atrás estava desanimada. Não se questionem já o porquê de estar assim, pois nunca obterão uma resposta válida de mim. Estava na rua a apanhar sol. Soube-me bem. Recordei as tardes de verão. O sol incidia-me sobre a tez e a preguiça era a rainha do meu reino. Levantei-me apressadamente. Parecia um foguete! Ele soluçava de grande. Sem linearidade, à sua maneira. Aquela criança dá-me cabo do coração! Aquele joelho já sofreu tantas arranhadelas que esta… foi só mais uma. Voltei para o meu recanto ensolarado. O meu cérebro conduziu o meu pensamento, novamente, para o verão. Não é que tenha saudades dele, mas é a ligação que a minha mente faz, não consigo controlar. Aqui iniciaram-se os sete minutos mais confusos do meu dia. Bloqueei. Não sei como consegui esta proeza mas, de facto, aconteceu. O meu ego atingiu valores nunca antes vistos, o meu alento está em escala negativa, a minha inteligência, o meu estado de espírito ficou atrapalhado. Estava num vazio imens...

Precipício

            Eu não sou egocêntrica . (Que afirmação forte!) Não o sou. Começo (quase) sempre os meus textos com o verbo na primeira pessoa. Não o faço propositadamente, mas é que não tenho outra maneira de os iniciar. Ao princípio as palavras estão perras, precisam de algo que as desengate para elas fluírem. Já dei por mim na maré vácua dos sonhos. A imaginar um próximo texto. Mas não passa daí. (Imaginação) Posso ter 'milhentas' ideias a vaguearem-me como um mendigo na mente, mas nenhuma chega a ser concretizada. Por mais que sinta necessidade de escrever sobre um determinado assunto que me inquieta, quando chega o momento da verdade… nada sai. Fico paralisada à espera que a primeira palavra me surja. Vou ser sincera, de todas as vezes que planeei abordar determinado ponto que me perturba, nunca consolidei tal plano. Hoje, para não sair à regra, foi igual. Pareço o afamado Lobo Antunes. Escrevo aquilo que me vier à cabeça na altura. Tenho uma má ar...

Oh amável noite escura! Oh fascinante fado irracional!

Estou num jardim de lágrimas secas e invisíveis. É controverso. Esperava-se que estivesse neste recanto cheio de cor ou a rir ou com os olhos fechados deitada na relva fina e macia a sonhar, mas não. As cores alegres transformaram-se em cores negras, escuras, frias, imóveis e intocáveis. Oh memórias da minha vida… Tenho medo de fechar os olhos. Tenho medo de me perder sem abraçar os que amo. Ai que singela criança, clama que me ama… Estou numa loucura que não consigo expressar. Tenho medo de gritar, adoro enternecidamente o silêncio. A minha voz faria eco e custaria-me ouvi-la pois estou surda desta música impossível. A melodia é fraca e inexpressiva. A respiração é ofegante? Ou é calma? Nesta demência é insuportável exprimir-me. Mais uma vez, esta obsessão pelo silêncio é notável. Quero partir, mas, ao mesmo tempo, quero ficar imóvel até não ouvir as unhas das minhas mãos cravarem a terra suja. Os meus sentidos declaram-se frágeis e pobres. Se me tocarem com um fio invisível eu desapa...